Hollywood não é de verdade

Atriz revela como a "terra das estrelas" manipula a imagem das mulheres para ditar moda no mundo


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“Dirty Dancing 2 – Noites de Havana” chegou ao mercado em 2004, 17 anos após o primeiro filme da franquia ter vencido vários prêmios, inclusive o Oscar. Para estrelar o segundo filme foram cotadas artistas renomadas, como Natalie Portman, Jennifer Lopez e Britney Spears. O papel, entretanto, foi conquistado pela atriz anglo-húngara Romola Garai.

Romola até então tinha participado de apenas duas pequenas produções, além de trabalhos como modelo. Estreante em Hollywood, ela foi indicada como uma das atrizes mais promissoras daquela temporada. Após esse filme, porém, nunca mais foi vista em um filme hollywoodiano.

“O filme me prejudicou por anos. Ele não apenas mudou completamente a forma como eu me sentia sobre o meu corpo, como me fez sentir que eu falhei, já que não lutei contra o que aconteceu”, declarou a atriz recentemente ao jornal britânico The Guardian. “Eu me senti cúmplice porque eu não neguei. Eu aceitei imagens tratadas no Photoshop e me senti terrível por perpetuar essa mentira.”

De acordo com Romola, durante a produção do filme ela foi forçada a emagrecer mais do que a sua saúde permitiria. A pressão era maior do que em seus trabalhos como modelo. Ela rotineiramente passava por aferições de medidas e era repreendida por não estar no padrão adequado para Hollywood.

“Eu trabalhei um pouco como modelo quando eu era adolescente e, mesmo naquela época, ninguém me mandava perder peso. É diferente em um filme, porque não se trata do peso em si, mas do controle. Isso é sobre o controle. É uma indústria com a clara intenção de assegurar que a relação entre as mulheres e suas imagens na tela faça com que se sintam inadequadas.”

Quando todas as dietas, pressões e exercícios não funcionaram para que o seu corpo se enquadrasse nos padrões de Hollywood, Romola viu a sua imagem ser modificada por meio de computadores.

"Você precisa fazer outras mulheres se sentirem mal"

Você já reparou como quase todas as atrizes de Hollywood têm a aparência jovial, são muito magras, sem marcas no corpo, com peles e cabelos irresistíveis? Isso não é por acaso. Essas mulheres, em sua maioria, são forçadas a se enquadrar nas exigências hollywoodianas se quiserem atuar ali.

A grande indústria mundial de cinema valoriza muito a estética similar ao que já foi produzido e deu certo. Por isso é menos comum ver filmes estrelados por atores negros, por exemplo. O problema é que esses filmes influenciam milhões de pessoas, no mundo inteiro; pessoas essas que não conhecem os sacrifícios realizados pelas atrizes para estarem com aquela aparência durante os meses de filmagem.

“Existe essa ideia de que, para propagar as imagens que as mulheres aspiram ter, você precisa fazer outras mulheres se sentirem mal”, declarou Romola.

“As mulheres são influenciadas a se compararem com outras, e desafiadas a serem melhores do que as demais no aspecto físico. Na tentativa de se adequarem ao que a mídia dita em relação ao corpo, cabelo, pele, moda e comportamento, acabam perdendo a sua essência e tornam-se cópias sem graça, réplicas produzidas pelos pensamentos contemporâneos”, afirma a escritora e apresentora Cristiane Cardoso.

“As mulheres tendem a pensar que quem não se encaixa no padrão estabelecido não pode ser considerada bonita”, afirma Cristiane. “Normalmente, partem para um dos extremos: ou tornam-se escravas da mídia, focando no objetivo inatingível de estar perfeitamente na moda, ou entregam todas as fichas e desistem, de uma vez por todas, de fazer qualquer esforço em prol de sua beleza, ainda que seja mínimo.”

Para auxiliar mulheres nessas situações e lutar contra as mentiras pregadas por Hollywood, Cristiane Cardoso criou o Projeto Godllywood. O grupo orienta mulheres sobre diversas situações, inclusive no que diz respeito à beleza, física e espiritual.

 

Universal.org / Imagem: Reprodução

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