Por que você não consegue mudar?

Abandonar velhos hábitos e colocar novos planos em prática são grandes desafios para qualquer ser humano


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Qual é a primeira coisa que você faz ao acordar? Escova os dentes, toma banho ou olha mensagens no celular? Você toma café em casa ou na rua? Que caminhos faz para chegar ao trabalho? Onde almoça? Todos os dias, repetimos várias ações sem nos darmos conta. Boa parte do nosso cotidiano é formada por hábitos. Ou seja, estamos acostumados a fazer algumas atividades sempre da mesma forma, sem pensar muito nelas. Apenas ligamos o piloto automático do cérebro e deixamos que ele faça seu trabalho. Juntos, esses hábitos moldam nossa vida pessoal, nossa carreira e nossa saúde, entre outros aspectos.

O problema é que nem todos os hábitos são positivos. Comer doces em excesso todos os dias, por exemplo, pode causar obesidade e aumentar o risco de doenças cardiovasculares e de diabetes. Chegar todos os dias com atraso ao trabalho prejudica a imagem e reduz a produtividade. Mentir frequentemente para o cônjuge enfraquece a relação, gera conflitos e pode levar à separação. Em muitos casos, nós até reconhecemos o hábito nocivo e tentamos fazer algo diferente, mas acabamos voltando à situação anterior. Afinal, por que é tão difícil mudar?

Semadar Marques, escritora e palestrante especialista em inteligência emocional e empatia, explica essa questão. “Ficar no piloto automático, sem questionar, é mais confortável para o cérebro. Além disso, todo hábito gera algum ganho. A pessoa não consegue mudar porque o prazer que o hábito negativo traz é maior do que a força de vontade para mudar”, analisa.

Consciência

Para Semadar, o primeiro passo para abandonar hábitos antigos é tomar consciência das próprias atitudes. “As pessoas têm medo de olhar para seus aspectos pessoais e de refletir sobre seus medos e inseguranças. O desenvolvimento de novas competências vem do autoconhecimento e da compreensão de que cada um estabelece seu próprio limite.”

A especialista ressalta que a dificuldade de abandonar um hábito antigo está relacionada aos medos e às crenças que cada pessoa acumula ao longo da vida. “Se suas verdades são negativas a seu respeito, você nunca vai sair do lugar. É importante rever suas crenças e saber que seus pensamentos podem ser melhorados e que eles influenciam diretamente em suas escolhas e força de vontade”, acrescenta.

Pensamento positivo

Para combater a crença da falta de capacidade para mudar, por exemplo, Semadar sugere que a pessoa faça afirmações positivas diárias a respeito de si mesma. Outras dicas são substituir um hábito negativo por outro positivo e dedicar-se a um hobby. “Alguns hábitos, como a prática de exercícios físicos, têm impactos na química do corpo, já que aumentam a serotonina e outras substâncias responsáveis por gerar mais prazer e disposição ao cérebro”, relembra. Praticar natação ou dança, por exemplo, pode dar mais disposição para realizar outras mudanças, como abandonar o pessimismo e aumentar a produtividade.

Ela ainda destaca que é importante dividir uma grande mudança em pequenas etapas a serem cumpridas aos poucos. “Às vezes, a pessoa passa a vida toda com um hábito ruim e se cobra para fazer tudo certo na semana seguinte. Não é assim. A mudança é um processo, uma construção. É preciso persistência e organização”, resume, acrescentando que a pessoa deve manter o otimismo mesmo quando o resultado não sai da forma esperada.

Despojar-se do velho

Em uma de suas palestras do Templo de Salomão, em São Paulo (SP), o bispo Carlos Cucato falou da importância de abandonar velhos hábitos para começar uma nova vida. Segundo ele, o processo exige perseverança e força de vontade. “Você tem que desejar mais o novo do que o velho. Mas aquilo que me é familiar é enganosamente mais fácil, porque vou agir sempre da mesma maneira”, alertou.

O bispo esclareceu que uma das dificuldades para a mudança é vencer o apego às coisas do passado. “Um exemplo é o apóstolo Pedro. Quando Jesus morreu, onde Pedro estava? Ele voltou a pescar, voltou ao velho hábito. Ele andou três anos com Jesus e havia melhorado, mas ainda não tinha mudado. O novo não pode coexistir com o velho. O velho tem que ficar para trás para o novo se estabelecer”, disse. “Muitas pessoas até começam uma mudança, mas, sem uma base forte, sem fé em Deus, elas acabam desistindo”, conclui.

Mentira

Contar mentiras, mesmo as que parecem inofensivas, pode se tornar um hábito que só tende a piorar. Pessoas que mentem para dar desculpas ao chefe ou ao cônjuge acabam se acostumando com elas. Com o cérebro adaptado, o mentiroso fica à vontade para contar mentiras cada vez mais prejudiciais. É isso que indica um estudo feito por pesquisadores da Universidade College London, no Reino Unido, e publicado no periódico Nature Neuroscience. Por isso, se você costuma mentir, vale a pena repensar esse hábito. Afinal, mentira tem perna curta e ninguém gosta de desonestidade.

Excesso de celular

O hábito de ficar grudado na tela do celular pode acabar com relacionamentos. Pessoas que não conseguem ficar longe do smartphone chegam a ignorar interlocutores, o que gera muita frustração. A prática ganhou até nome em inglês: phubbing, acrônimo de phone snubbing, que significa ignorar com o celular. Uma pesquisa da Universidade Baylor, nos Estados Unidos, indicou que o phubbing aumenta o risco de divórcio. O levantamento mostrou que 46,3% dos 453 adultos entrevistados tinham sofrido phubbing por parte de seu parceiro e 22,6% declararam que a prática era fonte de conflito.

Negatividade

Ter pensamentos negativos é um hábito que torna a vida mais maçante. Se você sempre acha que tudo vai dar errado e passa os dias reclamando, cuidado: esse costume pode afastar os amigos e aumentar as chances de desenvolver doenças. Um estudo feito no hospital central de Paeijaet-Haeme, na Finlândia, mostrou que o pessimismo faz mal ao coração e pode mais que dobrar o risco de morte por doença cardíaca. A pesquisa foi feita com 2.267 homens e mulheres finlandeses com idades entre 52 anos e 76 anos, que tiveram a saúde monitorada por alguns anos.

 

Universal.org / Imagem: Reprodução

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